top of page
Buscar

Sobre anúncios e IA

  • Foto do escritor: Marcel Fernandes
    Marcel Fernandes
  • 4 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Papo de Terapia 000


Ainda longe de onde quero estar na arte digital, vou compartilhando alguns esboços, embora me sinta mais confortável com meu traço com lápis e papel.


Recentemente tenho me deparado cada vez mais com anúncios em praticamente todos os lugares imagináveis: serviços de streaming, programas de televisão, esportes e até mesmo no painel do elevador do próprio prédio em que moro. Acho que os únicos locais que não vi anúncio ainda são nos meus livros físicos e palavras cruzadas. Porém de alguma forma paradoxal acho que estar sendo inundado com tantos anúncios tem me ajudado. Agora acabo por evitar o uso de plataformas digitais num geral, até o YouTube - que eu tinha bastante costume de usar - eu já fico desincentivado quando penso que até para ver um vídeo vou ter que ver uma propaganda a cada 5 minutos, gostaria de saber quanto do meu tempo de tela é gasto vendo ads. Óbvio que não é tão simples, mas sinto saudade de quando a internet era um lugar e tínhamos a salinha do computador onde a gente usava, fazia o que tinha que fazer e desconectava. Junto de tantos anúncios outra coisa que tem me afastado da vida de “cronicamente online” é a quantidade de IA que tem inundado a internet. A “IA slop” que se refere ao tanto de conteúdo de IA que a gente vê na internet, dificulta até mesmo saber o que é ou não verdade e desanima a ideia de ter que passar parte do meu tempo buscando separar o que é fake e o que é genuíno.


No livro Infocracia de Byung-Chul Han ele comenta um pouco desse processo de como aos poucos tudo isso acaba culminando numa crise na própria democracia. Importante pensar como esses anúncios personalizados bem como o famoso algoritmo nos afastam e prendem em bolhas para evitar que a gente se desagrade com qualquer coisa e se desconecte. Ao mesmo tempo também é preocupante pensar como isso acaba nos fechando cada vez mais para o outro. Como escreve Coelho Junior em artigo de 2008 em que analisa a noção de alteridade de Lévinas: “Uma experiência de subjetivação em que só se assimile o semelhante acaba por tornar-se o permanente exercício da mesmice, da identidade fixa como recusa à alteridade, com a clara exclusão da ética”. Por hoje é só.

 
 
 

Comentários


Todos os direitos reservados. 2025 - Marcel Fernandes 

bottom of page